sexta-feira, abril 10, 2026
Minha “ loja de doces” - entre tecidos, entre retalhos de tecidos, entre costuras
E numa rua Aurea, de uma tarde deliciosa e ensolarada, fui hipnotizada por tecidos lindos, e a voz interior me obrigou a que os levasse comigo- leve alguns tecidos , e mergulhei num sonho e vozes da menina que fui. Seria a voz de meu pai latejando no meu peito? Talvez ! Ah eu amava a cor verde esmeralda. E amava os tons suaves, femininos e aquele macio toque dos tecidos. Precisavam alguns ficar comigo. Entre tecidos, a organizada vitrine, as portas de vidro, era assim que meus pais " ganhavam a vida " entre anos 30 e 63 no seculo XX. Depois do tecido ou antes da escolha, a procura do melhor figurino e estilo. Foi um tempo em que precisavamos de costureiras talentosas, vestidos lindos ou para um bailinho de fim de semana, ou talvez ir ao cinema ou para a missa de domingo. Foram os " anos da juventude". Como pode a saudade doer depois de passados 63 anos? Partiu subitamente num coincidente abril. O toque suave do verde envolve e acalma minha garganta que parece se fechar em dores. Acordei muito cedo e esse digitar silencioso revelou-se imperioso. More, more, much more to love. Materializar o ar, os dias, os anos, a busca, o encantamento, as vitrines, a nota fiscal, o intervalo curto de tempo em que vivi com meu pai. E tanto mais a dizer desses tons verdes, preferidos da netinha. E tanto a acrescentar da seda em tons suaves e coloridos formando um tipo displicente de um cinto na cintura da linda menina. Cedo nessa sexta-feira gelada, o outono chegou. Preciso de uma bebida quente. Maria Lucia Zulzke, 10 /04/ 2026. 63 anos passados. 05:08 am
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