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terça-feira, outubro 13, 2026

Tijolo mais tijolos, argamassa, tijolos e a imagem mental do que será construído

A minha vida voce desconhece. Os meus erros e desafetos, desapontamentos eu entendo e prossigo.
Fui durante 9 anos chefe do Setor de Alimentos no Procon-SP e por 2 anos chefe de pesquisas de produtos, os quais eram analisados nos melhores laboratorios do governo do Estado de Sao Paulo. Os especialistas e eu conversavamos sobre os problemas reincidentes. Eu fui apaixonada pelo meu trabalho, se faltasse a verba eu comprava alguns produtos em supermercados com meu dinheiro e depois seria ressarcida. Cansei de ver desconformidades, queria ver como empresas produziam suas maravilhas que as propagandas exaltavam. Recebi convite para trabalhar numa multinacional francesa cujo glamour era a moda e os texteis. Meus chefes imediatos eram especialistas em pesquisas de tendencias e jornalismo. Foi um choque monumental de culturas , eu que antes discutia sobre defeitos precisava aprender a olhar a beleza, o que era perfeito, o que 21 diferentes atividades quimicas faziam. 1985 foi um ano de abertura politica no governo brasileiro e nossas atividades eram de comunicacao social, equipe que chegou a mais de 20 profissionais. A meu favor, tinha a autoridade anterior de 9 anos no governo e havia construido o alicerce e metade da forte "parede" profissional. O apoio do presidente era institucional, nossos encontros eram raros, em horarios variados de acordo com seu interesse e local. Fiz aliados na empresa. Por outro lado perdi todos, TODOS colegas dos 9 anos de trabalho que me apontavam como traidora. Foi doloridissimo. Dentro da empresa eram gentis embora muitos duvidavam da minha lealdade . Perguntavam se realmente eu estaria " com os 2 pes naquela nova canoa". Alguns gerentes foram compreensivos, eu tinha apenas 33 anos. Os jornais e revistas adoraram a novidade, uma voz critica feminina dentro da empresa. Os anos se passaram, eu segui e fazia palestras estimulando empresas a terem seus setores de atendimento aos consumidores. O jornal Folha de Sao Paulo nomeou o jornalista Caio Tulio Costa como " ombudsman" e no seu livro ele relata os conflitos internos. Novos tijolos e paredes, eu dentro da empresa com o poder da iniciativa privada estava perto do "acabamento de uma casa". A empresa destacava-se em cordialidade, jantares e alguns profissionais antigos foram aos poucos retornando. Quando em setembro de 1990 foi promulgada a lei de defesa dos consumidores, meu livro " Abrindo a empresa para os consumidores - importancia de um canal de atendimento" estava pronto. O presidente leu o draft e gostou. Foi publicado em dezembro de 1990. Tijolos e tijolos, trabalho e persistencia. Um pequeno livro . Capa atemporal, sem figuras e fotos na capa. O querido editor Saidul Mohamed entendeu.

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